quarta-feira, 23 de maio de 2012
Seja Elíptico(a)
Extrapole
Seja Elíptico(a)
Diz o ditado popular que ”só Deus é perfeito. A nós cabe a relatividade das coisas”.
É verdade.
Segundo a natureza humana, onde vivemos entre o bem e o mal, ora a violência das ruas ora a paz dentro de casa, somos efêmeros e inconstantes, relativos e imperfeitos, instáveis e indefinidos, sofrendo a indeterminação da realidade cotidiana, ainda que os princípios da consciência muitas vezes sejam permanentes e absolutos, e os valores morais e espirituais tenham uma certa estabilidade unida a uma moderada segurança e tranquilidade. Mesmo assim é preciso entender que a nós cabe a imperfeição das coisas e a relatividade das situações, embora continuemos evoluindo tentando chegar a esse distante absoluto que nos faz insistir energicamente para uma experiência de plenitude e abundância pessoal, social e familiar. Todavia somos imperfeitos porque nossa natureza é assim: é evolutiva, progride com o tempo, buscando um lugar melhor na sociedade, desejando sair das turbulências e atingir um certo e modesto equilíbrio mental e emocional, procurando ser otimista em todas as circunstâncias da existência embora a violência nos circule dentro e fora de casa, o mal-estar muitas vezes tome conta de nós, e a vida insensata nos desvie de comportamentos sérios e responsáveis, onde o respeito entre as pessoas e uma vida direita devem ser as regras básicas de conduta, a fonte de ações equilibradas e a alternativa melhor para uma vivência de tranquilidade e paz interior, condições de uma vida livre e feliz. Mesmo assim não devemos ignorar nossa natureza e saber que só Deus é perfeito e a nós sobra a busca por relativizar todas as coisas pois somos verdadeiramente inconstantes e transitórios, provisórios e instáveis, tal a constituição natural de nossa vida existencial e espiritual, cuja experiência vital é o intervalo entre o que é bom para nós e o que nos faz mal, fator que decide nosso estar-no-mundo, nossa ligação com o tempo e a história, nosso jeito de conviver entre sociedades diversas e plurais, antagônicas e diferentes, turbulentas e violentas. Resta-nos porém a opção fundamental pela reconstrução de nosso caminho de bem e de bondade, princípios que fundamentam nossa felicidade aqui e agora, e além. Isso é ser Elíptico(a). Buscar a relatividade dos momentos vividos sabendo que evoluimos na consciência e na liberdade rumo ao Absoluto que é Deus. No entanto, essa diferença humana e natural, marca a nossa caminhada no tempo e registra nosso processo histórico, convergente para coisas boas e concordante com o que é bom e nos faz bem, ainda que não sejamos perfeitos, e a instabilidade nos mobilize para cima e para baixo, para a esquerda e para a direita, para a frente e para trás. Entretanto, devemos ser otimistas e saber que temos uma estrada pela frente que só nós podemos seguir e percorrer. Então compreendemos que ser Elípticos(as) é a condição natural do ser humano, porque justamente somos humanos e não deuses e senhores. Sejamos pois Elípticos(as). Extrapolemos nossa imaginação e a ilusão de uma vida que não é a nossa. Ser Elíptico(a) é ser humano e natural. Deixemos que Deus seja Deus. Vivamos a nossa condição.
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